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Logs de CGNAT em conformidade com o Marco Civil da Internet: servidores de syslog armazenando registros de conexao de provedor

CGNAT em conformidade com o Marco Civil: logs e compliance para provedores de internet

Receber um oficio judicial pedindo a identificacao de quem usava determinado IP publico em uma data passada e uma das situacoes mais comuns — e mais estressantes — na rotina de um provedor de internet. Quando o provedor usa CGNAT, responder a esse oficio sem os logs corretos vira uma armadilha juridica: o IP publico pertence a dezenas de assinantes ao mesmo tempo, e sem o registro de portas nao da para saber quem gerou o trafego.

Neste guia voce entende o que o Marco Civil da Internet exige do provedor, por que o CGNAT torna o cumprimento dessa obrigacao mais complexo, o que deve constar no log de CGNAT, por quanto tempo armazenar e como a Baronix ajuda provedores a implementarem CGNAT em conformidade com a lei com suporte N2/N3 especializado em ISP.

O que o Marco Civil da Internet exige do provedor

O Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) estabelece que os provedores de conexao a internet devem manter registros dos logs de conexao, sob guarda pelo prazo previsto em regulamentacao, para fins de identificacao dos assinantes quando solicitado por ordem judicial. A finalidade e clara: permitir que, diante de um oficio, o provedor consiga associar um endereco IP publico e um instante de tempo a um CPF titular da conexao.

Para quem entrega IP publico dedicado a cada assinante, isso e direto: basta guardar o log de atribuicao de IP. O problema aparece quando o provedor adota CGNAT (Carrier-Grade NAT), porque varios assinantes passam a compartilhar o mesmo endereco IP publico. O IP publico sozinho deixa de identificar ninguem.

E exatamente por isso que a estrategia de logs de CGNAT deixou de ser um detalhe tecnico e virou uma obrigacao juridica concreta para a maioria dos provedores brasileiros, que nao conseguem mais blocos IPv4 suficientes para entregar IP publico a todos.

Por que o CGNAT complica o cumprimento da lei

Sem CGNAT, a relacao entre IP publico e assinante e um-para-um. Com CGNAT (tambem chamado de NAT444 ou LS-NAT), um unico IP publico e compartilhado entre muitos assinantes ao mesmo tempo, e a diferenciacao entre eles acontece pelas portas de origem alocadas em cada traducao.

Isso significa que, para identificar um assinante a partir de um oficio que traz apenas IP publico, porta e horario, o provedor precisa ter guardado, no minimo:

  • IP publico do provedor usado na traducao;
  • IP privado do assinante (ou identificador do CPE);
  • Porta de origem alocada para aquela conexao;
  • IP e porta de destino;
  • Protocolo (TCP/UDP);
  • Timestamp com precisao de segundo, idealmente em UTC com offset;
  • Identificador da faixa de portas (PBA), quando usado Port Block Allocation.

Sem esses campos, o provedor fica sem defesa: nao consegue provar qual assinante gerou o trafego e, dependendo do caso, pode responder de forma solidaria por atos praticados a partir da sua rede. O texto do Marco Civil da Internet nao detalha o formato tecnico do log, mas a exigencia de identificacao do assinante torna esses campos obrigatorios na pratica.

O que registrar: o log minimo de CGNAT em conformidade

Existem duas abordagens principais para registrar o CGNAT em conformidade com o Marco Civil, e a escolha entre elas impacta diretamente volume de armazenamento, custo e velocidade de resposta a oficios.

1. Log por conexao (full flow logging)

Registra cada conexao traduzida individualmente. E o modelo mais completo e o que permite resposta mais rapida a oficios, porque basta buscar por IP publico + porta + timestamp e voce tem a conexao exata. O lado negativo e o volume: em um provedor medio, isso pode significar dezenas ou centenas de GB por mes, exigindo storage, rotacao e indexacao serios.

2. PBA — Port Block Allocation

Em vez de logar cada conexao, o provedor aloca blocos de portas (por exemplo, 1.000 portas) para cada assinante durante uma janela de tempo (por exemplo, 30 segundos). O log registra apenas qual faixa de portas foi entregue a qual assinante em qual intervalo. Para responder a um oficio, basta cruzar IP publico + porta + timestamp com a faixa que estava alocada naquele momento.

O PBA reduz drasticamente o volume de logs — frequentemente em uma ordem de grandeza — e ainda mantem a capacidade de identificacao do assinante. Por isso virou a abordagem mais usada para conciliar CGNAT e Marco Civil da Internet em provedores de medio e grande porte.

Dimensionamento de CGNAT: portas, proporcao e impacto na retencao

O dimensionamento do CGNAT nao e so uma questao de performance — ele afeta diretamente a sua capacidade de compliance. Cada IP publico possui 65.536 portas, das quais as 1.024 well-known normalmente sao reservadas para uso do sistema. Se voce divide um IP publico entre 32 assinantes (proporcao 1:32), cada um tera pouco mais de 2.000 portas disponiveis para uso simultaneo.

Em redes com uso intenso (streaming, jogos, IoT, notificacoes push persistentes), essa cifra pode esgotar rapidamente e gerar a chamada degradacao silenciosa: a conexao e recusada por falta de porta, mas o NOC nao ve alerta. Por isso o dimensionamento precisa considerar:

  • Numero de assinantes por IP publico (proporcao);
  • Consumo medio e de pico de portas por assinante;
  • Politica de PBA (tamanho do bloco e janela de tempo);
  • Capacidade de armazenamento de logs por 12 meses;
  • Impacto do log por conexao versus PBA sobre o storage.

Um dimensionamento errado nao prejudica so a experiencia do assinante — ele tambem pode tornar a resposta a oficios mais lenta ou imprecisa, exatamente o que o Marco Civil quer evitar. Se voce precisa revisar o dimensionamento do seu CGNAT, a Baronix faz esse diagnostico no contexto de consultoria para provedores ISP.

Quanto tempo armazenar logs de CGNAT

O Marco Civil da Internet prevê a guarda de logs de conexao pelos provedores pelo prazo definido em regulamentacao. A referencia habitual adotada pelo mercado e de 12 meses, e a recomendacao tecnica da Baronix e manter por no minimo esse periodo — idealmente com margem de 13 a 18 meses — porque pedidos de devolucao de oficios podem chegar meses apos o fato acontecido.

Guardar por menos tempo expoe o provedor ao risco de nao conseguir responder; guardar por mais tempo aumenta custo de storage. O ponto de equilibrio depende do volume da operacao e do modelo de logging (PBA permite retencao mais longa com custo menor). De qualquer forma, a retencao precisa ser automatica e comprovavel: um oficio nao espera o provedor reconfigurar o syslog.

Como responder a um oficio judicial com logs de CGNAT

Ter os logs nao basta — e preciso conseguir consulta-los rapidamente e gerar uma resposta clara. Um procedimento documentado tipico inclui:

  1. Receber o oficio com IP publico, porta (quando houver), data e horario;
  2. Buscar no repositorio de logs (syslog/SIEM) o registro que casa IP publico + porta + timestamp;
  3. Identificar o IP privado (ou CPE) associado naquela janela;
  4. Cruzar com o cadastro do assinante para obter o CPF titular;
  5. Gerar a resposta em prazo habil, com print/log anexo quando exigido.

O passo mais sensivel e o tempo: sem um repositorio indexado e um procedimento pronto, essa busca pode levar horas ou se tornar inviavel. Provedores que contam com suporte N2/N3 especializado tendem a ter esse fluxo mais enxuto e defensavel.

Erros comuns que deixam o provedor sem defesa juridica

  • CGNAT rodando sem coleta de logs desde o inicio — a falha mais frequente; sem logs historicos nao ha como retroagir;
  • Logs em memoria ou no proprio roteador — sumem em reboot ou rotam sozinhos, nao servem para retencao de 12 meses;
  • Timestamp sem precisao ou sem fuso definido — gera divergencia na correlacao com o horario do oficio;
  • PBA habilitado sem registrar a faixa de portas por assinante — o recurso existe mas nao esta sendo logado;
  • Sem procedimento documentado de resposta a oficio — na hora da urgencia, ninguem sabe por onde comecar;
  • Dimensionamento agressivo demais — esgota portas e degrada a experiencia sem gerar alerta.

CGNAT em MikroTik, Huawei, Cisco e Juniper: consideracoes de logging

A boa noticia e que as principais plataformas de borda suportam a coleta de logs de CGNAT — a questao e configurar corretamente. Em linhas gerais:

  • MikroTik (RouterOS): registra conexoes de NAT, mas a configuracao default raramente atende retencao de 12 meses; o indicado e enviar os logs para um servidor syslog externo e garantir rotacao persistente, validando se o PBA esta sendo registrado quando habilitado;
  • Huawei: plataformas de borda com CGNAT dedicado costumam ter modulos de logging de fluxo e PBA; o ajuste fino envolve politica de registro, volume e destino do syslog;
  • Cisco e Juniper: oferecem NetFlow/IPFIX e recursos de CGNAT logging em plataformas de service provider; a coleta depende de configurar exportacao de flow com os campos de traducao;

Independente do vendor, o principio e o mesmo: logs de CGNAT fora do roteador, em servidor dedicado, com retencao comprovavel de 12 meses. A Baronix atua em ambiente multivendor (Cisco, Juniper, Huawei, MikroTik, Fortinet) e ajuda a padronizar essa coleta em toda a borda. Se voce tambem trabalha com BGP multihoming ou RPKI, o mesmo squad consegue tratar roteamento e compliance juntos.

Checklist de compliance CGNAT + Marco Civil

  • ☐ CGNAT com coleta de logs ativa desde o inicio da operacao;
  • ☐ Logs enviados para servidor syslog externo (nao em memoria/roteador);
  • ☐ Campos minimos registrados: IP publico, IP privado, porta origem, destino, protocolo, timestamp;
  • ☐ PBA com faixa de portas por assinante registrada (quando aplicavel);
  • ☐ Timestamp com precisao de segundo e fuso definido (UTC + offset);
  • ☐ Retencao automatica de no minimo 12 meses;
  • ☐ Repositorio indexado para busca por IP publico + porta + horario;
  • ☐ Procedimento documentado de resposta a oficio judicial;
  • ☐ Dimensionamento revisado (proporcao, portas por assinante, PBA);
  • ☐ Teste periodico de resposta a oficio simulado.

Perguntas frequentes

Sim. O Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) obriga provedores de conexao a manter registros de logs de conexao pelo prazo previsto em regulamentacao. Quando o provedor usa CGNAT, o registro do IP publico sozinho nao permite identificar qual assinante gerou o trafego, pois varios assinantes compartilham o mesmo IP publico. Por isso e necessario registrar tambem o IP privado do assinante, a porta de origem alocada e o timestamp preciso para conseguir associar uma conexao a um CPF.

O Marco Civil da Internet prevê a guarda de logs de conexao pelos provedores de internet por prazo definido em regulamentacao, referencia habitual de 12 meses. A recomendacao tecnica e manter por no minimo 12 meses e, sempre que possivel, por 13 a 18 meses como margem de seguranca juridica, considerando que pedidos de devolucao de oficios podem chegar meses apos o fato.

No minimo: IP publico do provedor, IP privado do assinante (ou identificador do CPE), porta de origem alocada, IP e porta de destino, protocolo (TCP/UDP), timestamp com precisao de segundo (idealmente em UTC com offset) e o identificador da faixa de portas (PBA) quando usado Port Block Allocation. Sem esses campos nao e possivel responder a um oficio judicial identificando o assinante.

O MikroTik (RouterOS) registra conexoes de NAT, mas a configuracao default raramente e suficiente para compliance: o volume de logs em memoria ou disco pode ser alto e o timestamp nem sempre fica persistente em reboot. Para atender o Marco Civil e preciso direcionar os logs de CGNAT para um servidor externo (syslog), garantir rotacao e retencao de 12 meses e validar se o PBA esta sendo registrado quando habilitado. A Baronix ajuda a configurar essa coleta em multivendor.

PBA (Port Block Allocation) e a estrategia de alocar blocos de portas (em vez de uma porta por conexao) para cada assinante por um intervalo de tempo. Com PBA, em vez de logar cada conexao individual, voce registra qual faixa de portas foi entregue a qual assinante em qual janela de tempo. Isso reduz drasticamente o volume de logs e ainda permite identificar o assinante a partir do IP publico + porta + timestamp, sendo a abordagem mais usada para conciliar CGNAT e Marco Civil.

Sem os logs, o provedor nao consegue identificar qual assinante usava determinado IP publico e porta em um instante passado. Isso pode gerar multa, corresponsabilidade por atos praticados pelo assinante naquele periodo e dificuldade de defesa em juizo. A falha mais comum e ter CGNAT rodando ha anos sem nunca ter coletado logs desde o inicio, tornando impossivel retroagir.

Sim. A Baronix atua na implementacao de CGNAT para provedores em conformidade com o Marco Civil da Internet: definicao do modelo de logging (por conexao ou PBA), configuracao da coleta em MikroTik, Huawei, Cisco e Juniper, envio para servidor syslog, rotacao e retencao de 12 meses, e procedimento documentado para resposta a oficios judiciais. Atuamos com suporte N2/N3 especializado em ISP em todo o Brasil.

Conclusao

O CGNAT deixou de ser apenas uma engenharia de redes: com o Marco Civil da Internet em vigor e o IPv4 esgotado, a capacidade de logar e identificar assinantes virou parte da obrigacao juridica de todo provedor. Quem trata isso como detalhe tecnico corre o risco de descobrir o problema apenas quando chega um oficio — e ai ja e tarde demais para retroagir.

O caminho seguro combina PBA ou log por conexao, syslog externo com retencao de 12 meses, timestamp preciso, procedimento documentado de resposta e dimensionamento revisado. Se sua operacao precisa de apoio para colocar o CGNAT em conformidade com a lei, fale com a Baronix para um diagnostico tecnico sem compromisso.

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A Baronix implementa logs de CGNAT (PBA ou por conexao), coleta em syslog, retencao de 12 meses e procedimento de resposta a oficios — multivendor, com suporte N2/N3 especializado em ISP.